Hoje, há uma ênfase constante em resultados e desempenho. Ainda assim, ao mesmo tempo, há um número crescente de pessoas que, mesmo alcançando grandes resultados, sentem-se vazias por dentro.
De acordo com um dado da ISMA-BR, 32% dos profissionais brasileiros passam por burnout, enquanto o relatório do ADP Research Institute constatou que 67% dos trabalhadores brasileiros afirmam que o estresse influencia negativamente seu trabalho.
De acordo com esses dados, pode-se interpretar que existe uma desconexão.
O corpo e a própria presença já não estão conectados. Nesse contexto, o trabalho deixa de ser uma expressão e é apenas um meio de sobrevivência.
A ideia de alto desempenho contínuo tornou-se sinônimo de excelência. Em ritmos intensos e entregas constantes, essas práticas passaram a representar sucesso. No entanto, isso ignora o fato de que a energia e a motivação são cíclicas, levando, em última instância, à exaustão.
De acordo com o filósofo Byung-Chul Han, nós passamos de uma sociedade estruturada em torno do “dever” para uma cada vez mais do “poder”, com exigências externas para uma pressão interna por desempenho, aperfeiçoamento e produtividade.
Hoje, aquele que exige e aquele que sofre são a mesma pessoa.
A liberdade que acreditamos ter, mas que se torna uma armadilha, na qual tudo ser possível ainda não parece ser suficiente. A pressão já não vem de fora, mas de dentro de nós mesmos. Nesse contexto, o burnout deixa de ser um fenômeno isolado e passa a ser um sintoma coletivo.
Tudo isso cria uma sensação de vazio, uma ausência dentro de si. Talvez recusar narrativas que equiparam desempenho a significado seja uma forma de recuperar a verdadeira presença, algo cada vez mais raro nos dias de hoje.

